Abandono animal ou social?



Você os vê?? Será que somos realmente seres superiores dotados de razão, intelecto e sentimento? O que nos faz cegos? O que leva pessoas a ignorar o caos? Como não estender a mão no encontro de uma pata ferida? Há diferença na pata ou mão?

Muitos vêem na minha profissão um caminho de cura e mesmo ascensão social. Realmente a profissão do médico veterinário é nobre, lidamos com a vida. Será que só nós e os amigos da área de saúde? Será que o padeiro, o bombeiro, o jardineiro o político, o soldado, a manicure, a executiva, a gestora, advogada, juíza, diretora de escola, não lidam com vida? E como nós nos permitimos não ver as barbáries da exclusão?

Os seres humanos não praticam a humanidade. A fé. O olhar caridoso como meio de alcançar a felicidade.

É difícil escrever sobre o abandono de animais. Dói. Parece nítida hipocrisia quando assistimos enquanto sociedade a destruição de países, lares, famílias, e claro, os bichos. Abandonar é egoísta. É negar o mais nobre dos sentimentos que é a compaixão.

Ontem, fui comprar pão. No meu caminho não vejo somente a sujeira de panfletos de comerciantes que, na busca de lucro e dinheiro, esquecem-se do ambiente e devastam. Ignoram que não basta uma loja bonita. A loja bonita só assim será vista, se meu entorno for bonito. Bem. Vejo a flor que teima em abrir suas belas pétalas. Flor do mato que impedido pela calçada, cava um buraco na luta árdua pela vida. Vejo homens e mulheres iniciando seu dia. E vejo um cão.

Tento a aproximação. Olhar doce mas, preocupado. Coleira na pescoço. Magro, encolhido, tenta dormir. Busco o contato. Ele me olha. Choro. Não dá para não fazê-lo. Atravesso a rua na intenção de mascarar meu sentimento, lembrando de meus limites, mas, ele me segue. Noto que manca. Tem cicatriz de uma ferida na testa. Impossível ficar inerte.

Busco nas casa contíguas. Se alguém o conhece. Nada. Sigo nas busca do pão, para tentar alimentá-lo ainda que com pouco. Ele não quer comida. Ele quer colo.

Não tenho como abrigá-lo. Não posso cuidar de todos. Bem que queria. Faço mais do que posso, menos do que gostaria. As lágrimas correm em meu rosto. Não basta a situação de, por vezes, clinicando, por fim a vida daqueles animais sofredores de patologias as mais diversas. Os meus cliente não tem idéia de como o médico veterinário se sente no momento que abrevia um sofrimento. Nossa alma sente. Desmancha.

Deixei o cão no sol. Abriguei ele um pouco. Dei água. Voltei para casa na intenção de fazer ou pegar algo de mais nutritivo ao bicho. Meu amigo animal. Sabe, só que já andou em vários lugares, nas gaiolas, nos centros de adoção, nas feiras de adoção animal, sabe o que é a extensão de uma pata pelas grades. Eles pedem socorro.

Não tenho a solução. Nem ao menos sei qual seria. Voltei para vê-lo com o alimento. Não estava mais lá.

Procurei, sumiu.

Um misto de alegria e dor tomou conta. Onde teria ido? Preferi mentalizar por uma casa, um lar. Um cão doce, um momento igual a muitos que vivemos, e que insistimos em negar.

Quero deixar a você leitor, um desafio. Não veja barreiras na ajuda. Ame. Um animal na rua, uma pessoa na calçada, são iguais. Se não pode retirá-los, faça. Seja voluntário social, brigue com seus políticos por um ambiente equilibrado, proteja a vida seja ela qual for e de que forma for.

Meus amores os bichos. Espero sinceramente que, quando eu neste patamar não mais existir, possa encontrar vocês, amigos de patas, livres e doces. Animais não tem cobiça nem ganância.

Animais são vida. Pratique a sua com virtude. Não deixe a vida passar.

Seja mais meu amigo, seja....VALOR!!!

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